Por que não caminhamos sozinhos?

Desde a pré-história somos seres que utilizam a cooperação como forma de sobrevivência. Dessa forma, cooperar não é só uma ação positiva, no sentido de ajudar o próximo, mas de ajudar a si mesmo, especialmente quando o desejo é sobreviver.

 Nessa mesma esteira, é possível crer que não caminhamos sozinhos, ainda que, em muitas situações, acreditamos que isso aconteça, especialmente quando estamos numa posição de destaque, nas conquistas e nas vitórias.

Caminhar sozinho pode até ser um sonho, mas que talvez nunca seja realizado. O que isso quer dizer? Que você pode até ser independente, emocional ou financeiramente, mas ainda assim não caminhará sozinho. Somos seres dependentes e necessitamos de cooperação.

Um técnico de futebol só é considerado bom e vencedor, quando consegue que a sua equipe seja unida e alcance juntos os troféus disputados. Do mesmo modo é o gerente de uma empresa, que através da sua equipe, atinge as metas estabelecidas. Numa família é a mesma coisa. Famílias cujos membros interagem mais e cooperam são mais felizes e também conseguem, de alguma forma, resolver melhor os problemas pelos quais todas as família passam.

Parece que estou dizendo o óbvio, mas é. A cooperação entre funcionários, amigos, familiares, vizinhos, moradores de um mesmo bairro, ou ainda numa cidade, tornam as ações mais efetivas, os sonhos mais possíveis, a vida mais fácil. Quando você não sabe, o outro te ensina; quando o outro tem dificuldades, você estende o braço; quando o desespero aparece, surge sempre uma esperança. É assim na vida.

Podemos até não concordar muito com essa visão, mas é ela que nos mostra que não existe o caminhar sozinho. Alguém diz: “Eu sou autodidata”. Ótimo! Você aprendeu sozinho, mas não sem a ajuda de um livro, e esse livro foi escrito por alguém, então, o mérito não pode ser só seu, ele precisa ser dividido. E talvez aí esteja o xis da questão. Muitos não querem dividir. E não falo aqui de dinheiro, e sim de amor, afeto, atenção e como não poderia deixar de ser – de cooperação.

Não nascemos sozinhos, precisamos sempre de alguém, da concepção até a morte. Não caminhamos sozinhos, alguém nos acompanha, seja família, amigos, colegas, vizinhos, Deus. Não podemos aceitar a ideia de que somos vitoriosos sem pensar naqueles que nos acompanham. Ninguém escreve um livro sozinho. Ninguém chega ao topo sozinho. Ninguém chega ao poder sozinho. Tem sempre mais gente ao nosso lado do que possamos imaginar. Aliás, tem gente que nem estava perto, ao lado, mas que de longe rezava por nós.

Nunca caminharemos sozinhos, porque somos providos de amor. E quem ama, sempre pensa no outro.

O que esperar das eleições?

Uma certeza que tenho a cada período eleitoral é a de que o meu voto é mais importante do que eu. Além dela, a de que as ruas estarão mais sujas e barulhentas.

Ninguém está interessado naquilo que você pensa, em ideias, projetos ou experiências que poderiam ajudar a gestão do município. Ninguém está pensando em você como cidadão, com direitos e deveres, e desejoso de ver a sua cidade melhorar, promovendo tanto desenvolvimento econômico quanto social.

A partir dessa visão, entendo que o que vale mesmo é um simples apertar de teclas. Se você apertou e confirmou, pronto! A sua voz volta a ser calada durante os próximos quatro anos. É como se você não existisse, ou sendo um pouco mais otimista, você será mais um número.

Quando você lê obras como Utopia, de Thomas More, A Cidade do Sol, de Tommaso Campanela, A Política, de Aristóteles, e outros tantos livros que de alguma forma apontam para um modelo perfeito de política, onde o bem-estar de todos é o objetivo a ser alcançado, me vejo desolado por saber que essas histórias pertencem somente aos livros, ao mundo ideal.

Mas mesmo assim sonho com o dia no qual as eleições ocorrerão sem sujeira e barulho. Nada de santinhos enfiados em caixas de correios e espalhados pelas ruas. Nada de música ou som elevado nos carros, gritando os nomes dos candidatos. Nada de promessas e palavras ditas ao vento, para tentar convencer o eleitorado a votar em Fulano ou Beltrano.

Sonho ainda com o dia em que vereadores receberão apenas um salário simbólico para cumprir seus papéis de legislar e fiscalizar o Executivo. E mais, que secretários municipais, diretores, coordenadores e todos os ocupantes de cargos superiores possam ser escolhidos por critérios técnicos e não políticos. Que se possa comprovar, para todos que ocupem cargos públicos como contratados, a experiência e o conhecimento em Administração Pública, através de exames ou análise curricular.

Que a cidade pudesse ser organizada por regiões ou bairros, onde cada um deles teria o seu representante, informando com frequência as demandas mais importantes dos seus moradores. Que a democracia representativa fosse realmente possível, através de pessoas eleitas visando esse fim – representar o povo.

Gostaria que todo gasto público fosse efetivamente demonstrado de forma transparente, e que as obras mais relevantes fossem escolhidas ou definidas por aqueles que realmente vivem o dia a dia do município, sendo essas escolhas realizadas via plebiscito, audiências públicas ou qualquer outro meio onde a maioria pudesse optar.

Quem sabe um dia, escolhamos nossos candidatos de forma silenciosa, tendo a certeza de que qualquer das opções disponíveis esteja em conformidade com a ética, honestidade, competência e idoneidade, preceitos previamente definidos por toda a sociedade.

Enquanto isso não acontece ou nem mesmo tenhamos um filete de esperança que algo nesse sentido ocorra, o que então esperar das eleições? Que elas passem o mais rápido possível, e que carreguem com elas o barulho e a sujeira que tanto nos incomoda.

O que é o tédio?

Você acordou cedo. O dia lá fora está cinzento. Uma chuva fina caiu durante toda a noite. Você abre um pouco as persianas e vê que não há motivos para que seu dia seja bom.

Volta para cama e descobre uma imensa preguiça tomando conta do seu corpo. A sua mente está ativa. Ela pensa coisas do tipo: “o que vai ser da minha vida daqui um ano”?; “por que estou sozinho?”; “quando eu morrer, para onde vou”?

Nenhuma resposta aparece. Você vira de lado e olha para a parede suja do seu quarto. É preciso pintá-la. Mas quando? E pra que? Ela vai sujar novamente. Assim é a vida. Você estuda, trabalha, vive relacionamentos, sai do trabalho, encerra os estudos, termina os relacionamentos, e o ciclo retorna. Não há nada de novo. Qual o sentido da vida?

Vem então à mente a lembrança de que o dia só está começando. É preciso levantar, tomar banho, pentear o cabelo, vestir uma roupa, tomar café, ligar o carro, e ir ao trabalho. Trabalhar para que, se posso morrer daqui a pouco? É o que você se pergunta, mas também não encontra resposta.

A ilusão de que o dia vai passar rapidamente e que tudo irá melhorar se desvanece. No trabalho você encontra pessoas tristes que fingem estar felizes e insistem em te dar um “bom dia”. Não que o dia vá ser bom ou que os seus colegas realmente te desejam isso. É tudo no automático. Nunca vamos saber se o “bom dia” é ritualístico ou se é efetivamente desejado.

Seu chefe lhe chama na sala e te passa uma tarefa com data “para ontem”. Em dias normais, você ficaria enfurecido, mas hoje é diferente. Você nada sente. Somente o desejo de sumir, desaparecer, de preferência sem dar notícias.

O dia passa arrastado e ao chegar em casa você compreende que a segunda-feira findou. Que alívio! Mas por que você está aliviado? Amanhã começa tudo de novo. A tristeza toma conta da sua alma. Por que estou triste, se tenho um emprego, uma casa, uma família, um carro? Novamente sem respostas.

A noite chega mansa e você está em frente à TV, pensando se vai ligá-la ou não. Assistir a que? Filme? Programa esportivo? Novela? Noticiário? O que esses programas vão alterar a sua vida? Possivelmente nada. Você pega um livro, folheia, mas não consegue iniciar a leitura. Fica paralisado. Olha para a janela e vê que a chuva recomeçou. Ela demora a vir, mas quando vem não quer ir embora. Você a desejou tanto, mas agora lamenta-se por sua persistência.

É hora de dormir. Mas tem hora certa para dormir? Não. Mas você quer dormir para esquecer que o dia existiu. Como seria bom deitar, fechar os olhos e nunca mais acordar. Os problemas cessariam, a mente pararia de pensar coisas inúteis, a ansiedade findaria.

Você apaga a luz e no meio da escuridão olha para o teto, sem nada ver. O silêncio é a paz que toca o seu coração. Ele dispara ao pensar que amanhã tudo recomeça. Você se lembra de uma oração e a lê mentalmente. O sono chega e dissipa o tédio. Sua mente descansa e espera pelo dia seguinte. Será que o amanhã vai ser melhor? Ninguém sabe a resposta…

O que está nas entrelinhas?

Todo texto possui linhas e entrelinhas. Algumas pessoas apenas leem o que está nas linhas, talvez porque o tempo seja curto e a pressa maior. Mas as que gostam de pensar e refletir, leem tudo, principalmente as entrelinhas.

 As entrelinhas escondem as intenções do autor. O que ele pensa ou a forma como ele costuma agir, muitas vezes não é expressa de forma clara. O que fazer então para entender? Ler, pensar, pesquisar, procurar respostas.

Se um autor se intitula de direita ou de esquerda, por exemplo, sabemos exatamente o que ele pensa e qual será a sua linha de raciocínio. Não há entrelinhas! Quando não buscamos informações sobre o autor, dificilmente saberemos o que ele quis dizer ou pensou. E passamos a interpretar o seu texto, tendo um resultado positivo ou não, dependendo da visão do leitor. A isso damos o nome de percepção, ou seja, cada um tem a sua.

O que me encanta nas entrelinhas é exatamente o não expor, porque me faz pensar, refletir, entender e tentar compreender o que foi escrito. Isso estimula o pensamento, a criatividade. Posso crer que aquele texto passava uma mensagem de otimismo, enquanto outra pessoa, fazendo a mesma leitura, enxerga algo de pessimismo. Essa gama de possibilidades é gerada a partir de diversas visões que cada um pode ter olhando para o mesmo alvo, porém de forma diferente.

Cito como exemplo o tema morte. Em meus textos, sempre gosto de falar da morte, mas todas as vezes que a utilizo é pensando na vida. Num texto atribuído a Fernando Pessoa, intitulado “A morte de cada dia”, o autor também retrata a morte sob a perspectiva positiva do renascer. Devemos morrer, para renascer melhores. A morte quer dizer o fim de uma fase, de uma etapa da vida. A ideia é evoluir e deixar para trás os erros, os pensamentos ruins etc. E o texto mostra isso, tanto nas linhas quanto nas entrelinhas.

Nas entrelinhas o autor mostra quem ele é, em que acredita, seus sonhos e também pesadelos. As entrelinhas mostram aquilo que realmente somos, o nu e o cru, a partir de uma visão real e não ideal, como a maioria possa desejar. É tentar enxergar a vida, a morte, o trabalho, o sonho, a verdade, enfim, tudo sob outra perspectiva, sob uma nova ótica.

Tudo que é subjetivo está nas entrelinhas, porque o que é objetivo sempre aparece. É como na metáfora do iceberg. O texto é a ponta dele, é o que aparece, enquanto as entrelinhas estão no fundo, escondidas, esperando alguém para lê-las e descobrir novas possibilidades.

É por isso que amo ler e escrever, porque descubro no texto o subtexto, nas linhas as entrelinhas; sonho acordado com imagens, cenários e personagens. Porque quando digo que a beleza não existe, é porque ela existe, não para quem acha que a tem, mas para quem consegue enxergá-la ao seu modo.

O que é melhor: o ser, o ter ou o estar?

Por impulso responderíamos “o ser”. É melhor ser uma boa pessoa sem dinheiro do que ter dinheiro e ser uma pessoa ruim. A lógica em nosso cérebro parece óbvia. Costumamos associar o ser à alma, às qualidades, enquanto o ter, a algo corporal, material e aos vícios.

Mas como estamos aqui para refletir, uma nova pergunta pode nos deixar confusos. Você prefere ser uma boa pessoa ou ter uma vida boa? Se responder ‘as duas coisas’, então o ter é tão importante quanto o ser. Se responder ‘o ser uma boa pessoa’, estará sendo coerente quando afirmar que o ser é mais importante que o ter. Mas se responder ‘ter uma vida boa’, indica que o ter parece predominante em sua vida.

Podemos também mudar a forma de enxergar o ser e o ter. Eu quero ter boa saúde, então o ‘ter’ é relevante. Eu quero ser saudável, onde o ‘ser’ é o mais importante. O que quero dizer é que não importa o verbo, se vamos usar o ser ou o ter tanto faz. Ser bonita ou ter beleza é a mesma coisa. Ser rico ou ter muito dinheiro também. Depende de quem olha, de quem fala, vive ou escolhe.

O problema do ‘ter’ é quando se trata de algo material. Desejar ter um carro, uma casa, um celular, uma bicicleta ou qualquer outro bem não é ruim, mas quando isso ou acumular objetos se tornam os principais objetivos de sua vida, pode sim lhe trazer dor de cabeça. Afinal de contas, quando colocamos a nossa felicidade em coisas externas, acabamos sendo infelizes quando elas não chegam ou quando se vão.

Outro problema do ‘ter’, se é que podemos chamar assim, é em relação à posse. Desejamos ter, para sermos os donos. Vocês já ouviram alguém se referir ao computador da empresa como “meu computador”? É a minha mesa, a minha sala, a minha impressora, como se tudo ali na empresa fosse de algum trabalhador. Mas não é.

Nos relacionamentos o ‘ter’ também aparece. “A minha esposa”, “o meu namorado”, “o meu noivo”. Os pronomes possessivos meu e minha são usados com frequência, para mostrar que tenho. No entanto, nada é nosso. A minha esposa não é minha, porque eu não sou o dono dela. O seu namorado não é seu, porque ele não é sua propriedade. Talvez por isso é que as pessoas sofrem tanto e cometem tantas sandices quando os relacionamentos findam. Ele não era seu. Ela não era sua. Simples assim!

 Por isso, depois de entendermos um pouco sobre o ‘ser’ e o ‘ter’, vamos falar do ‘estar’. Se não sou nem tenho, quero pelo menos estar. Não sou o dono da minha esposa, nem ela é minha propriedade. Ela ‘está’ comigo. Se está, pode escolher entre ir ou ficar. Isso lhe dá a liberdade de escolha. Eu não sou o diretor daquela empresa, eu estou ocupando o cargo de diretor. Eu não tenho uma sala ou uma mesa naquela instituição, e sim ocupando temporariamente aquele espaço. Eu estou ali.

Gosto do “estar” porque é um verbo que indica impermanência ou transitoriedade. Não sou feliz e não tenho a posse da felicidade, mas estou feliz neste momento. Amanhã talvez não estarei ou quem sabe nunca mais. Por isso, desejo viver o momento presente intensamente, pois sei que hoje ‘estou’, mas não ‘sou’ e nem ‘tenho’.

O que aprendemos com os jardins?

Jardins são como templos, silenciosos e sagrados. Mas nem sempre essa foi a minha opinião.

Ter um jardim em casa passa necessariamente por duas mudanças: a primeira é na forma de pensar, a segunda é na forma de agir. Mudar de opinião ou de ideia não é tão fácil como se imagina, pois envolve uma ruptura de crenças. Vamos a elas.

A primeira é a crença da utilidade. Qual a utilidade de um jardim? Essa costuma ser a pergunta predileta do racional. Vamos gastar dinheiro quebrando o quintal que é cimentado. Utilizar uma terra adequada, comprar tapetes de grama, algumas mudas de plantas, disponibilizar uma mangueira com água, próxima ao local, enfim, muitos gastos. Pra quê?

Não sou contra a razão, mas em alguns momentos de nossas vidas precisamos e precisaremos agir com a emoção. É aí que está a mudança de pensamento. Por que tudo na vida deve ter uma utilidade? Por que tudo deve ter um objetivo? Não posso realizar algo movido pela emoção, pela paixão?

O jardim é isso. Emoção. É enxergar o verde, ver o vermelho e o amarelo das frutas, sentir o cheiro de natureza, a brisa que bate no rosto e que por alguns instantes nos faz esquecer os problemas. O jardim é a transformação da razão em emoção. Do cimento duro e seco, para a grama molhada e suave. É deixar-se mudar não pela necessidade, e sim pelo desafio do que é novo. O que é mais fácil? Cuidar de um quintal cimentado ou de um jardim? Sem dúvidas, que o tapete cinza do cimento é bem mais fácil. Mas quem disse que só o que é fácil é bom?

A segunda crença está na ação, na prática. É no cuidado cotidiano que enxergamos a beleza do jardim. Um filho, um animal ou uma planta – todos exigem cuidados. É o amor regado a cada dia que vai fazer o seu jardim crescer, frutificar, exalar o cheiro da natureza. O esforço do dia a dia, de molhar a grama, de podar, rastelar, adubar, cuidar, tudo isso vai tomar o seu tempo, mas são esses momentos que vão lhe despertar para o irracional, ou seja, por que fazer tudo isso quando uma simples vassoura resolveria o quintal cimentado? Por nada! Não há utilidade. Não há razão. É simplesmente a natureza se mostrando bela e perfeita.

Por isso, se algum dia você se cansar de olhar para o cimento frio que envolve a sua casa, pense num jardim. Ele não precisa de muita coisa, basta carinho, atenção, emoção e muita inutilidade, porque o mundo não precisa ser útil o tempo todo.

Que os jardins possam ser a nossa resposta às mudanças que insistem em nos tocar. Que o verde tome conta do cinza e que o nosso pensamento não seja padronizado. E nossos sentimentos possam aflorar, de dentro pra fora, pois como dizia Rubem Alves “quem não tem jardins por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles…”.

O que há entre os extremos?

Uma simples régua é o exemplo ideal dos extremos. O que há neles? As respostas variam: o máximo e o mínimo; o maior e o menor; o muito e o pouco; o tudo e o nada.

Extremos nos dão a mostra de que num sentido da régua encontraremos o maior número e no sentido oposto o menor número. Podemos dizer que numa ponta está a excelência e na outra a insuficiência. E mais, numa extremidade encontramos o bem enquanto na outra o mal. Mas quem vai decidir isso? Todos nós, em algum momento da vida.

Opostos não se atraem, se rejeitam. Quem está de um lado é esquerdista, quem está do outro é direitista. Numa ponta está a vida e na outra a morte. De um lado o feio e do outro o belo. O calor e o frio. O dia e a noite. O sono e a vigília. A guerra e a paz. O sol e a lua…

O problema dos extremos não são eles, mas quem se coloca sobre eles. O sol é importante, mas a chuva também. Sonhar é importante, mas estar desperto é da mesma forma essencial. Precisamos ser felizes, mas é a infelicidade que vai nos mostrar o caminho da felicidade.

Quando choramos nos colocamos numa das extremidades da régua, porque nos sentimos mal, tristes, solitários, envergonhados, apáticos. No outro extremo estão o sorriso, a alegria, as mãos dadas, a festa, o bem estar. Nunca estaremos sempre numa das extremidades, porque desse modo não teríamos a consciência de que a outra existe. Só nos sentimos bem porque já vivenciamos o mal e nos sentimos mal por conhecermos o bem.

A lógica dos extremos é você ir e voltar. Conquistas e vitórias nos colocam no fim da régua, no topo, no máximo. Mas não vai ser sempre assim! Vez ou outra estaremos no lado oposto, quando surgirem as derrotas, o prejuízo, a dor, o fracasso. Por isso precisamos nos preparar para andar nessa régua, a qual chamamos vida, compreendendo que muitas vezes seremos o sucesso e em outras o fracasso.

Os extremos nos mostram que é preciso mudar de opinião, porque sempre ter a mesma não é saudável. É sinal de pouca leitura, conhecimento, sabedoria; porque mudar é mais importante que ficar parado. Se não caminharmos sobre a régua, buscando o máximo, mas tendo o entendimento que algumas ou muitas vezes alcançaremos o mínimo, não descobriremos que o importante está na viagem e não no destino.

Por isso, se você me pergunta o que há entre os extremos, eu respondo: o equilíbrio. Só ele pode nos levar a uma vida plena. Aqueles que escolhem a extremidade maior não são mais felizes, mas podemos chamá-los de fanáticos. Aqueles que optam pela extremidade menor não são infelizes, mas os chamamos de covardes. Aqueles que estão no meio da régua não são os mais espertos, e sim os medíocres ou medianos. Onde está então o equilíbrio? No caminhar…

Por que nos decepcionamos?

Desapontamento, desilusão, frustração. Todos os significados nos informam que a decepção é um sentimento criado ou sentido por nós, e não pelos outros, como muitos acreditam. Portanto, decepcionar é um ato que podemos evitar, ainda que seja uma árdua tarefa.

Epicteto, filósofo grego, dizia em seu O Manual para a Vida, que “As coisas se dividem em duas: as que dependem de nós e as que não dependem de nós”. Nesse sentido, se não depende de nós a atitude que é do outro, porque esperar que o outro faça sempre o bem, ou que o outro aja conforme desejamos? A resposta parece simples. Porque acreditamos no ser humano e a partir dessa crença, criamos expectativas em relação aos outros.

O sujeito candidata-se a uma vaga de emprego. O currículo dele é extenso, com muitas experiências, cursos, conhecimentos e diversas qualidades. O que se espera desse sujeito? Que ele seja um ótimo empregado, que produza, que trabalhe em equipe, que seja motivado. Expectativa diferente da realidade. Ele não produz, não gosta de trabalhar, não consegue trabalhar em equipe, não se sente motivado, não gosta do salário que recebe. Resultado: decepção do chefe ou de quem contratou.

Estamos em todos os instantes de nossas vidas criando expectativas. É sobre o novo emprego, o novo relacionamento, a nova roupa. Por que sempre o novo na frente? Porque acreditamos que tudo o que é novo é bom, e então esquecemos do velho, daquilo que na nossa visão já foi bom, e agora não é mais.

Precisamos refletir sobre o que queremos. A partir disso, visualizar possibilidades que podem acontecer ou não. Estudar de forma intensa para um concurso não significa que seremos aprovados, mas é o caminho mais curto para se ter êxito. O problema é quando criamos as expectativas. E se algo sai em desacordo ao que esperávamos, vem a frustração, a decepção.

Todos nós, em algum momento da vida, nos decepcionamos. Seja com um produto adquirido numa loja ou comprado virtualmente, um serviço prestado de forma ruim, até a pior delas, uma pessoa que gostávamos e admirávamos. Esperamos muito do outro, seja quem for o outro – um familiar, um colega de trabalho, um amigo, um namorado. E quando acontece, a frase clichê é: “Eu nunca esperava isso dele ou dela”.

No entanto, é relevante pontuar que não criar expectativas é uma ação complicada de ser realizada. Acreditamos sempre que o outro é bom, que não nos abandonará, que estará sempre ao lado, e por isso, em certa medida, confiamos cegamente nas pessoas, até que a nossa crença desabe.

O que fazer então? Rezar? Não se relacionar com ninguém? Não comprar mais nada na internet? Infelizmente a inação se mostra pior que a ação de esperar ou de criar expectativas. O segredo talvez seja aceitar que as nossas vidas acontecem em meio a contingências, sejam elas boas ou ruins, e que o sofrimento deve ser encarado de forma comum, uma peça integrante do nosso cotidiano. Pensar nessas horas não vai te trazer tantos benefícios, mas viver sim. Por isso, viva cada momento e tente não esperar nada de ninguém, afinal o ser humano nunca foi perfeito e nem será.

Por que é preciso ser diferente?

Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”. A frase atribuída a Albert Einstein é perfeita para começarmos este texto, porque a partir de agora precisamos definir o que é ser diferente.

Conheço gente que se diz diferente, mas só anda na moda. Então não é diferente, porque todo mundo (ou a maioria) quer estar na moda. Tem gente que não muda, porque mudar dá trabalho. O melhor então é continuar sendo igual, porque assim ninguém vai questionar a sua diferença.

Ser diferente, no entanto, não diz respeito só à moda, comportamento ou fazer coisas extraordinárias. Pensar diferente precede ser diferente. Porque se todo mundo pensa igual, a tendência é que tudo aconteça sempre da mesma forma. Vejamos então. Se você deseja ser aprovado num concurso público, em algum momento precisará pensar diferente e dessa forma agir também de forma diferente, concorda? Deixar de sair, sair das redes sociais, reservar um horário específico para os estudos, cortar gastos desnecessários para investir em livros, apostilas e outros materiais, enfim, se você agir como a maioria, vai continuar apenas tentando, mas sem êxito.

Outro exemplo que gosto é o do casamento. Se você quer que o seu casamento seja diferente, você precisa também ser diferente. Pensar como a maioria talvez não lhe traga muitos benefícios. Ser diferente no casamento é pensar primeiro no outro e não em você. Acostumamos com a ideia de que “eu preciso ser feliz”, mas e o outro? Pensar diferente é compreender que o ato de casar é precedido de mudanças. Morre o solteiro, nasce o casado. Mas eu tenho minhas individualidades, como faço? Adapte-se! Ninguém lhe obrigou a casar. Ser diferente no casamento é dividir tarefas do lar, é pensar que o outro não é seu empregado ou sua mãe ou seu pai. É quem você escolheu para viver toda a vida. E se não deu certo? É sinal de que você agiu como a maioria, do mesmo modo, ou seja, “se não deu certo então separa”. Porque está na moda dizer isso. É mais fácil dizer que tentar mudar!

Nos comportamos da mesma forma que os outros. Somos seres que imitam, que seguem, que copiam e depois criticamos quando nos deparamos com alguém diferente. Ser autêntico é ser diferente, é ser você mesmo, e pessoas assim deveríamos admirar. Ser quem você é e não o que os outros querem que seja. Gosta de redes sociais? Não. Então não entre. Então saia. Suas roupas e sapatos não são confortáveis, mas são caras e da moda. O que fazer? Mude! Troque! Vista roupas que lhe dão prazer. Não gosta do seu cabelo? Mude-o. Corte-o. Faça um novo penteado. O que os outros vão pensar? Não importa. O que importa é a sua autenticidade. É ser você, ainda que ser você seja ser diferente.

À medida que vamos envelhecemos, preocupamos menos com o que os outros pensam, e vamos nos tornando nós mesmos, porque é assim que deve ser. As nossas conquistas são sempre o resultado de comportamentos diferentes que tivemos. Reparem e vejam. Pessoas bem sucedidas profissionalmente pensaram e agiram de forma diferente em determinados momentos da vida. Os exemplos que carregamos em nossas vidas pessoais são também de indivíduos que tiveram insights e agiram de modo contrário ao que a maioria pensava.

O mundo é dos diferentes, mas se você continuar pensando da mesma maneira que a maioria, ou fazendo as mesmas coisas todos os dias, vai sempre acreditar que a vida dos outros é sempre melhor que a sua, e mais, não vai sair nunca do lugar que está.

O que é ter empatia?

Palavra da moda, empatia é algo difícil de ser alcançado. Colocar-se no lugar do outro. Compreender as emoções do outro. Entender o que o outro está sentindo, buscando para tanto ter os mesmos sentimentos que ele ou ela. Ou como diziam e dizem os mais velhos: “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”.

Falar é sempre mais fácil que agir. É bonito você dizer que tem empatia, que você se coloca no lugar do outro, mas é muito difícil isso ser transportado para a vida real. No mundo ideal dizemos que estamos sofrendo com o sofrimento do outro, que imaginamos o quão ruim é estar passando por aquela situação. No mundo real não acontece da mesma forma, e isso se deve ao fato de que não pensamos no outro quando agimos.

Vejamos o exemplo no trabalho. Você odeia que o seu chefe envie mensagens no whatsapp após o horário de expediente. Mas quando você é o chefe, age da mesma forma.  A sensação sentida por você foi ruim, mas quando você teve a oportunidade de se colocar no lugar do outro, porque também já havia passado por aquela situação, não conseguiu fazê-lo. Por isso repito, dizer que tem empatia é diferente de ter empatia.

Ninguém sabe o que o outro está pensando ou sentindo, até que alguém pergunte. Ainda assim, nunca vamos ter a certeza de que a resposta é a correta. Alguns fingem, outros nem mesmo conseguem definir o que estão sentindo, e poucos terão a coragem de dizer o que realmente estão sentindo. Por isso, ter empatia não é como ligar um interruptor. Eu aperto e me torno empático.

A empatia exige-nos duas qualidades importantes, e que muitas vezes não as temos ou não nos importamos em tê-las. A primeira diz respeito à sociabilidade, ou seja, pessoas que são mais sociáveis, ou o que costumo chamar de “gostar de gente”. São esses os que apresentam maior probabilidade em ser empáticos. Gostam de gente, gostam de andar em grupos, estão sempre preocupados com os outros, amam socializar a vida.

A segunda característica é o que costumeiramente chamam de “feeling”. É a percepção que algumas pessoas têm sobre pessoas e situações. É um sentimento ou uma sensibilidade aguçada, que torna a pessoa capaz de compreender a outra. Geralmente essas pessoas são observadoras. Observam o ambiente, as pessoas, as atitudes, as falas, e conseguem agir de modo a entender o que o outro quis dizer ou fazer. É importante pontuar que essas pessoas gostam de estudar o ser humano e decifrar os muitos mistérios que existem nas relações pessoais.

Convém salientar que, mesmo que não tenhamos essas duas relevantes características, ainda assim podemos ser empáticos. A empatia passa necessariamente por um processo de mudança, no qual mudamos apenas uma atitude – o olhar. Por isso, gosto e repito sempre a frase de Wayne Dyer: “Mude o modo que você olha para as coisas, e as coisas que você olha mudarão”.

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