O que aprendi com o Marketing?

Gostar ou não gostar de Marketing, eis a questão! Estudar Marketing é muito bom, principalmente porque você aprende conceitos e teorias que nunca imaginou existirem. Mais do que isso, as teorias do Marketing nos transporta para o nosso dia a dia, e assim, conseguimos entender na prática como ele funciona, positiva e negativamente.

Tudo na vida tem dois lados. E o lado bom do Marketing é que ele possibilitou a melhoria dos produtos que consumimos. Visual mais bonito, praticidade, comodidade, informações na embalagem, enfim, uma série de melhorias que nos trouxeram a oportunidade de conhecer melhor os produtos que consumimos e também ter um poder de decisão maior em relação às nossas escolhas.

Do outro lado, está o que o Marketing faz de ruim. Sua essência é despertar no ser humano o desejo pelo consumo. Como ele faz isso? Propagandas, promoções, cores, cupons, sorteios e outras tantas formas que nos encantam, fazendo com que compremos algo mesmo não tendo a necessidade do produto.

É dessa forma que o Marketing nos traz um sentimento perigoso – a frustração. Criamos a expectativa de que aquele produto ou serviço adquirido vai preencher o vazio de nossa angústia, ou resolver todos os nossos problemas; então descobrimos que o problema não foi resolvido, que permanece dentro de nós. Ter o corpo parecido com o da atriz da Globo, o celular mais moderno e caro, ou estar na área VIP de um grande evento, não nos tornará mais felizes, talvez sim, mais endividados.

Não necessitamos trocar de carro todos os anos, nem ter cem camisas e duzentas calças no guarda-roupas para vivermos melhor ou em paz. Mas o Marketing nos lembra disso todos os dias. Alguém sabe por que as promoções nas lojas e supermercados são sempre nas cores vermelho e amarelo? Uma explicação vem dos nossos antepassados. Quando ainda éramos caçadores/coletores, a fruta pronta para o consumo (madura) era vermelha ou amarela. Assim, elas despertavam em nós a alegria de saber que haveria alimento para o consumo naquele dia. O nosso desejo seria realizado.

Descobrimos com o tempo que os produtos mais caros nos supermercados ficam na altura dos nossos olhos, e os mais baratos próximos ao chão, para que tenhamos dificuldade em abaixar e olhá-los. Da mesma forma caminhamos horas dentro de um shopping e percebemos que nele não há relógios, exatamente para que percamos a noção do tempo e gastemos à vontade.

No entanto, é preciso sempre pontuar que a decisão de consumir ou não vai ser sempre nossa. O Marketing fará o seu papel (e muito bem feito) de tentar nos influenciar. O que podemos fazer para tomar a melhor decisão? Duas ações que sempre recomendo em meus textos: Autoconhecimento e leitura. Perguntar a você mesmo se precisa daquele produto ou serviço é essencial para a sua ação de comprá-lo ou não. Você está comprando para você ou para mostrar aos outros? No tocante à leitura, vale reforçar que conhecimento nunca é demais. Leia livros da área de Marketing, busque informações em sites, artigos ou revistas especializadas. E lembre-se: As leituras e o conhecimento lhe oportunizarão usar o Marketing, e não o contrário.

Por que não dizemos ‘não’?

Talvez a maior dificuldade do ser humano é dizer ‘não’ a alguém. Uma palavra tão pequena, mas com um significado tão grande, principalmente quando traduz tranquilidade, paz de espírito, saúde mental e outros tantos benefícios.

Todos nós queremos um ‘sim’, não importa que ele seja no altar, numa vaga de emprego, num pedido de aumento de salário ou num convite qualquer. Estamos sempre dispostos a ouvir um ‘sim’, e quando é o ‘não’ que aparece, ficamos desolados, como se o mundo tivesse conspirado contra nós.

O ‘sim’, muitas vezes, quer dizer um ‘não’. E isso acontece porque temos vergonha em contrariar o outro. “Não quero”, “Não posso”, “Não vou”; para quem ouve é ruim, mas para quem diz pode ser libertador. O convite para participar de um evento no final de semana, justamente naquele que você programou passar com a família, pode ser negado. Pode mesmo?

Sentimos um medo muito grande em desapontar os outros, principalmente se eles nos são próximos: parentes, amigos, colegas, vizinhos. Por vivermos em sociedade, pensamos da seguinte forma: “Se eu digo não, ele ou ela vai ficar com raiva e depois nunca mais vai me convidar para nada”. E daí? Pessoas vêm e vão em nossas vidas, ainda que sejam importantes. Quem realmente gosta de você e te admira, vai entender o seu ‘não’, ainda que não fique satisfeito.

Outro aspecto importante em dizer ‘não’ é que muitas pessoas colocam o dinheiro no primeiro plano. Se enxergam a oportunidade de ter uma renda extra, dizem um sonoro ‘sim’ e depois se arrependem, porque perderam noites de sono, finais de semana trabalhando, viajando ou fazendo alguma atividade por obrigação.

O ‘não’ deve ser dito com cautela, educação e respeito. Se decidimos passar o nosso final de semana dentro de casa, lendo um livro, assistindo filmes, cuidando do jardim, ou simplesmente fazendo nada, os outros precisam entender que a nossa decisão deve ser respeitada, sejam quais forem os motivos que nos fizeram tomá-la.

Digo sempre que boas amizades começam com respeito – respeitar o tempo do outro. Há dias que queremos socializar, ir a um barzinho, almoçar num restaurante, confraternizar com os amigos; há dias que não queremos sair de casa, que ler um bom livro se torna tão excitante quanto ir a uma festa. Amigos de verdade entendem isso, e veem o ‘não’ com empatia.

Alguém pode dizer que não deseja magoar o outro ao dizer um ‘não’, mas esquece de que é ele ou ela quem vai ficar magoado ou enraivecido por ter dito um ‘sim’. Precisamos sim ter mais empatia ao nos relacionarmos, no entanto, necessitamos muito de autoconhecimento, para discernimos o que nos fará bem em momentos distintos de nossas vidas.

Portanto, tente encarar o ‘não’ pelos dois lados. O lado de quem o recebeu e o lado de quem ofereceu. Assim, se colocando no lugar do outros e principalmente no seu, a melhor decisão será tomada. Porque no final das contas, o que vale mesmo é a sua saúde mental.

Quem são seus inimigos?

A pergunta seria mais fácil se fosse “quem são seus amigos”? Talvez você tivesse alguma dificuldade em enumerá-los, mas certamente três, cinco ou mais surgiriam de imediato em sua mente. Mas e os inimigos?

Certa vez me fizeram uma pergunta parecida: você tem algum inimigo? De imediato respondi: “Que eu saiba não”. Inimigo, na minha visão, sempre foi uma palavra pesada, com um forte significado negativo. Ter inimigos, durante muito tempo, foi para mim uma palavra fora do dicionário, pois sempre acreditei que quem tinha inimigos eram os poderosos, ricos ou políticos. Nunca me enquadrei em nenhum deles até hoje.

Com o passar do tempo você vai descobrindo que diferente de inimizade, o que as pessoas podem sentir por você é inveja, cobiça, ou mesmo indiferença, que não tem, portanto, o mesmo significado de inimigo.

Se fizermos uma reflexão, quem é o amigo? O amigo é aquele que gosta de você, que te ajuda, que te dá conselhos, que se preocupa contigo. No sentido oposto, o inimigo é aquele que te atrapalha, que torce contra os seus projetos, que não te deseja o bem. Você conhece alguém assim? Eu não, felizmente.

No entanto, posso afirmar que temos alguns inimigos invisíveis. Eles não aparecem, não são de carne e osso, mas existem. Um deles, e talvez o principal, é o medo. Medo de errar, medo de fracassar, medo da opinião alheia, medo do futuro. Sem razão aparente, sentimos o medo, ainda que não possamos vê-lo, mas ele está sempre ao nosso lado, ou melhor, dentro de nós, escondido em nosso cérebro.

Outro inimigo comum é a crença. Ela, assim como o medo, tem suas ramificações: crença de que nascemos para sofrer, crença de que sempre há alguém que nos quer mal, crença de que não conquistamos nada por culpa de alguém, crença de que em outra vida tudo será melhor, crença de que esperar é melhor que agir…

Pior do que saber que existe alguém que não goste de você, é descobrir que esse alguém é você. Quando olhamos para dentro de nós, encontramos um ser encolhido, do qual sentimos piedade, e que ao oferecermos a mão, se encolhe ainda mais e recusa a ajuda. Esse ser, que é de carne e osso, que se diz forte, que se projeta poderoso, tem medo de fantasmas, de fantasias, de algo que não existe, pelo menos no mundo real.

Mas falar é fácil, difícil mesmo é enfrentar esses nossos inimigos invisíveis, que parecem tão reais em nossas vidas. Não há conselhos, receita de bolo, nem fórmula mágica que nos afastem deles. O que podemos fazer de positivo, primeiro, é reconhecê-los, tendo a compreensão de quanto mal eles nos fazem; segundo, é procurar ajuda externa, terapia, leituras, estudos, conhecimento, tudo aquilo que possa nos dar base para enfrentar o inimigo. O terceiro é agir. Esperar o ataque do inimigo pode ser fatal. Se não tomarmos as rédeas de nossas vidas, e partirmos para a ação, o inimigo ficará de tocaia, na espreita, talvez um, cinco ou dez anos, ou quem sabe até a vida toda. Como se sabe, esperar, muitas vezes, não é sinônimo de sabedoria, e sim de inércia.  

A vida começa aos 40?

Esse texto deve aguçar a curiosidade de quem passou dos trinta ou quem já está nos quarenta. Para os mais jovens, chegar nessa idade não tem tanta importância, porque quando estamos longe de um objeto, não prestamos muito atenção a ele, e o mesmo só vai ganhando forma quando vamos nos aproximando. É como a aposentadoria. Ninguém pensa nela com vinte anos de idade, mas depois dos quarenta, ela vai se tornando mais real.

Mas falar de aposentadoria e dizer que a vida começa aos quarenta parece contraditório. Uma representa o fim, a outra o início. Para tentar entender, é preciso boa vontade. Se achamos que a vida tem dia e hora para começar, estamos vivemos no mundo ideal. A vida é sim um eterno recomeço, ainda que muitos não pensem assim. Sair do emprego, trocar de relacionamento, constituir uma família, mudar de carreira…Tudo isso requer transformação, recomeço, mudança. Portanto, a vida pode começar aos 40, 50, 60, 20, 30, depende do nosso olhar e de nossas atitudes.

A vida de um jogador de futebol termina aos quarenta, e em muitos casos, bem antes disso. A vida de um empresário pode começar aos quarenta, quando ele decide que trabalhar para ele é mais interessante que trabalhar para os outros. O que realmente importa é chegar aos quarenta sabendo que não se tem mais o vigor dos vinte anos, mas a experiência e a maturidade de quem passa a enxergar a vida de outro modo.

No entanto, o pensar e o agir aos quarenta não são padronizados. Há pessoas com quarenta, que agem como se tivessem vinte; outros com trinta pensam como pessoas de sessenta. Não é o tempo a razão disso, mas o que cada um viveu desde o seu nascimento.

Quando chegamos aos quarenta é possível pensar de duas formas. A primeira é de dever cumprido. Estudei, trabalhei, adquiri alguns bens e perdi outros, conheci pessoas e desconheci outras, vivi em lugares bons e ruins, enfim, posso dizer que conjuguei o verbo viver, no seu sentido mais pleno. A segunda forma de pensar é pela insatisfação. Não fiz o que eu queria, porque vivi a vida dos outros, não estudei o que eu queria, não trabalhei onde desejava, não me relacionei por medo de apaixonar, não tomei atitudes, enfim, deixei tudo para o futuro, e ele chegou, jogando em minha cara tudo aquilo que eu disse que ia fazer um dia.

Portanto, a grande diferença entre chegar aos quarenta acreditando que sua vida está começando ou não, está exatamente naquilo que você viveu ou deixou de viver. Prefiro acreditar que a vida não começa aos quarenta, e isso não é pessimismo; mas que ela começou quando nasci e vai até o último dia da minha existência. Isso parece óbvio? Sim. Porém, algumas pessoas parecem não acreditar nisso. A vida vai existir aos 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80…A forma como você vai encará-la e desfrutá-la é que será o grande diferencial entre todos nós.

Começar a vida aos quarenta pode até ser um combustível extra para os otimistas ou para aqueles que até o momento não conseguiram viver plenamente. Mas é bom ficar alerta, porque começar, recomeçar, caminhar ou simplesmente viver não vai depender da sua idade e sim de como você pensa e age em relação a esse curto espaço de tempo que chamamos de vida.

Por que somos incoerentes?

Recorrendo ao dicionário mais uma vez, descobrimos que a incoerência é algo desprovido de lógica, desordenado, sem nexo e desarmônico. Nesse sentido, tudo aquilo que não tem coesão, é porque está fragmentado, sem conexões.

Para melhor entendimento, os exemplos sempre nos salvam. Em seu discurso, alguém diz que é uma pessoa diferente das demais, que não segue padrões, mas na prática, só usa roupas da moda. Estar na moda contradiz o ser diferente, concordam? Afinal, a moda impõe regras e padrões, nos quais a maioria se enquadra, exceto os diferentes.

A incoerência sempre surge no limite entre a teoria e a prática. Se você afirma que é ou que faz algo, é preciso que isso seja real, verdadeiro, tanto no falar quanto no fazer, caso contrário, poderá ser tachado de incoerente, ou pior, de mentiroso.

Muitas vezes nos contradizemos sem mesmo ter a exata noção de que o fazemos. Pode ser falta de leitura, conhecimento, ou mesmo uma desconexão daquilo que achamos que somos ou pensamos, distintamente da forma que agimos. Imaginemos uma pessoa que se diz ideologicamente de direita, mas que estudou em escolas públicas, prestou concursos públicos, seus filhos estudam em faculdades públicas. Podemos dizer que essa pessoa é incoerente? Talvez sim, pois quem é “direitista” defende o Estado mínimo, ou seja, a menor participação do Estado na vida das pessoas.

Do outro lado, temos alguns esquerdistas, que demonizam o capitalismo, mas não conseguem deixar de viver a maior razão de ser do capitalismo, o consumismo. Estão sempre trocando de carro, celular e de outros bens, porque o que vale, na visão delas, é o discurso e não a prática. Não há para onde fugirmos, em algum momento fomos ou seremos incoerentes, e o pior, por vezes nos achando os senhores da razão.

Acredito ser praticamente impossível sermos cem por cento coerentes, porque a harmonia necessita de um estado perfeito de sons. E os sons que muitas vezes emitimos não passam de ruídos, que incomodam os ouvidos alheios por saberem que o discurso difere totalmente da prática.

Por isso, se você gosta de fazer algo, assuma esse gosto, para que não caia na tentação de dizer “eu não gosto”, para impressionar alguém, quando na realidade sua ação retrata o contrário daquilo que foi dito. Ler livros de autoajuda não é algo vergonhoso, mas as pessoas escondem isso, se tornando incoerentes. Lêem os livros e depois esquecem de que anteriormente os havia criticado.

O grande segredo da coerência é você viver a sua vida, sem se importar muito com a opinião alheia. Ninguém é obrigado a saber sobre todos os assuntos e ter opinião formada sobre tudo. Não necessitamos sempre escolher um lado, seja ele o da esquerda ou da direita. Precisamos sim, é ter a compreensão de que a vida é muito curta, e que a grande harmonia presente nela, é sermos exatamente quem somos.

Você conhece a sua história?

As estórias sempre nos encantam, porque nos levam a dimensões nunca imaginadas. Ler um livro de ficção, por exemplo, faz com que viajemos por outros mundos, que não vamos conhecer, mas que eternizam alguns sentimentos. Já a História, estudada na escola, nos leva a uma dimensão real, que hoje não existe mais, mas que ficou marcada por acontecimentos e pessoas. Estudar a história do país, por exemplo, é tentar compreendê-lo hoje, a partir de situações passadas. Mas e a sua história? Você a conhece?

Não gosto muito de falar no passado, porque acho que algumas pessoas se prendem muito a ele. Mas entender o que nele aconteceu, pode nos ajudar, e muito, a decifrar mistérios e compreender porque somos e agimos de determinadas formas.

Você já se perguntou por que vai à igreja todos os domingos? Acredita mesmo em Deus? Ou frequenta a mesma igreja porque os seus pais assim o faziam e o ensinaram? Vai à missa ou ao culto por que gosta e participa efetivamente, ou é só para cumprir uma atividade de rotina? Não estou aqui como o advogado do diabo, mas penso ser importante refletirmos sobre o que fizemos não pensando em nós, mas nos outros.

Você tem muito medo de algo? Se sim, já se voltou à sua história e tentou descobrir as razões para esse medo? Foram amigos de infância que o impuseram ou foram seus pais que sempre fizeram questão de te alertar para os efeitos negativos de tudo em sua vida? Como por exemplo, viajar, dirigir, conhecer novas pessoas que não fossem as de sua família etc.

Você acredita hoje que estudar não é tão importante, afinal de contas, é do trabalho que vai tirar o seu sustento e o de sua família. Quem te ensinou isso? Seus colegas de trabalho? Seus vizinhos acomodados? Ou foram seus pais que, por pertencerem a outra geração, pensavam assim?

Esses três exemplos que citei mostram um pouco da nossa história, que é muito maior e abrangente que nossas crenças religiosas, nosso pensamento em relação ao trabalho, educação e à forma como encaramos a vida na atualidade. Mas quando chegamos à fase adulta, muitas vezes nos incomoda a forma como agimos em algumas situações, e o medo de olhar para trás pode nos tirar o prazer de conhecer algo novo, que diz respeito a nós mesmos e que talvez não tínhamos ideia que existia em nossa vida.

Do mesmo modo, a intenção aqui não é fazer críticas aos pais, parentes, vizinhos, colegas e amigos, que em alguns momentos de nossas vidas nos indicaram caminhos que eles acreditavam serem os melhores. O que gostaria que ficasse claro é que a viagem ao passado pode nos fazer compreender que esta viagem que fazemos agora (no presente) pode ficar mais suave e prazerosa, se a rota puder ser corrigida, trazendo-nos a satisfação do autoconhecimento.

Ainda hoje nossas ações e sentimentos parecem estar vinculados ao nosso passado, mas não nos damos conta disso, porque temos receio de olhar pra trás e fazer questionamentos. Essas indagações poderão até não nos fazer mais felizes, mas certamente nos mostrarão que existe um caminho lógico que nos torna ou nos tornou do jeito que somos hoje. Se você está feliz, ótimo! Continue assim! Mas se ainda busca respostas, talvez necessite conhecer um pouco mais da sua própria história.

Precisamos ter mais ousadia?

Ousadia no dicionário aparece com alguns significados: coragem, arrojo, imprudência e temeridade. Percebam que os dois primeiros referem-se a virtudes e os dois últimos a defeitos.

Ser ousado, no sentido de ter coragem, faz com que nos sintamos mais fortes, destemidos e dispostos a agir. Mas agir aqui não no sentido de fazer algo por impulso, e sim, de pensar, refletir, tomar a decisão, e por fim, o ato. É a coragem que nos impelirá ao alcance dos objetivos, ao resultado do projeto, a consecução de algo que estava só na mente e que de repente virou realidade. É o sonho realizado.

Enquanto o medo nos paralisa, a coragem nos põe em movimento. Não é que não possamos ter medo, mas quando ele é bem maior que a coragem, não saímos do lugar. A nossa inação gritará enquanto a ação se encolherá diante de alguma situação. Ser ousado é arriscar, um risco calculado, pensado, mas que precisa ser testado, realizado.

Ousado é muitas vezes o sujeito que tenta, mesmo sem ter a certeza. É aquele aluno que quando o professor faz uma pergunta, ele desconfia da resposta e levanta a mão dizendo-a. Ele pode errar, mas pelo menos tentou. O medroso ou o receoso sabe a resposta, mas não levanta a mão, com medo de errar. Sua resposta estava certa, mas ele perdeu a oportunidade de acertar, e depois se arrependeu.

O problema da ousadia está justamente no seu excesso. Quanto mais coragem, maiores também as chances de cometer um ato imprudente. É o risco de errar, de quebrar a cara, de dizer uma besteira ou fazer uma. A temeridade nos torna cegos, especialmente quando temos a certeza, aliás, certeza é uma palavra capciosa, pois confunde os sentimentos. Sabe aquela menina ou aquele rapaz na balada que não para de te olhar? Pois é, você achou que estava te paquerando, mas não era. Era alguém atrás de você. A ousadia exige equilíbrio, como qualquer outro sentimento em nossas vidas.

Alguma dica ou regra que pudéssemos seguir além do equilíbrio nas ações? Pensei no preparo, no treino, no planejamento. Quando pensamos antes de agir, costumamos tomar as melhores decisões. O preparo ou o treino é a tentativa de antever o problema e conseguir superá-lo. Imagina que você decida participar de um processo seletivo para um mestrado. Seria ousadia de sua parte? Não, desde que você realize um bom planejamento. Busque informações sobre o programa de mestrado que deseja, tais como: corpo docente, linhas de pesquisa disponíveis, os últimos editais lançados, possíveis leituras; e talvez o mais importante, a elaboração de um bom projeto.

As pessoas ousadas não são mais corajosas que as outras, porque nasceram assim, com esse “dom” ou com essas características. Algumas até podem ser que sim, mas a maioria vai se desenvolvendo durante a vida, aprendendo que o segredo para as realizações passa primeiro pelo preparo, pelo esforço, pela dedicação e em seguida para a recompensa. Ser ousado, mais que ser corajoso ou imprudente, é acreditar mais nos seus sonhos e ações. É pensar que se alguém conseguiu, você também pode.

Quando as pessoas mudam?

Não vamos perder tempo neste texto perguntando se as pessoas mudam ou não, porque sabemos que a resposta é “sim”. Não vamos também perguntar se alguém consegue mudar o outro, porque sabemos que a resposta é “não”. Então o melhor é tentarmos entender quando as pessoas mudam.

A resposta mais simples seria dizer que as pessoas mudam quando elas desejam mudar. E é verdade. Alguém pode te dizer que você está gordo e que precisa de uma dieta. Você até concorda que tem a necessidade de emagrecer, mas irá tomar alguma atitude? Não sei. O que sei é que quando isso passar a ser um incômodo, você possivelmente tomará a decisão e agirá.

As mudanças vêm e vão em nossas vidas e às vezes nem damos conta disso. Quer ver um exemplo? O sujeito sempre criticava os colegas de trabalho porque esses chegavam atrasados na empresa, sempre no turno vespertino, e o motivo era o mesmo: a tarefa de deixar os filhos pequenos na escola. Esse mesmo sujeito virou pai e como tal, também passou a ter o mesmo problema com o horário. Será que ele vai mudar sua postura quanto às críticas? A resposta é “sim”.

Mudar realmente não é fácil, mas as mudanças virão sempre que as acharmos convenientes. Subordinados que criticam seus chefes, geralmente mudam de opinião quando ocupam cargos superiores. Da mesma forma, chefes que muitas vezes reclamam da morosidade do empregado em realizar alguma tarefa, quando precisam fazê-la, descobrem que o feitio dela não era tão simples como parecia. É preciso, portanto, empatia, colocar-se no lugar do outro. Assim a mudança virá.

O interesse e a determinação em mudar serão sempre individuais. Cada um sabe ou acha que sabe o momento certo para a mudança. E precisamos respeitar isso. Em muitas situações, desejamos realizar a mudança na vida das pessoas e nos frustramos, porque elas não mudaram. Criamos expectativas e nos decepcionamos, mas esquecemos que o agente da mudança será sempre a própria pessoa.

As pessoas vão mudar quando sentirem o real desejo da transformação. Se analisarmos friamente, por toda a nossa vida as mudanças se deram assim. No trabalho, por exemplo, em algum momento você sentiu necessidade de receber um salário maior. Quais as alternativas? Estudar foi, certamente, uma delas, se não a principal. Ou você foi cursar uma faculdade, ou decidiu estudar para um concurso público.

Na vida pessoal também acontece ou aconteceu da mesma forma. Cansamos de uma fase e mudamos para outra. Talvez alguém tenha aconselhado a mudança, outros tenham até insistido no assunto, mas o importante é que a decisão de mudar foi sua. Pode ter sido a saída da casa dos pais, o fim de um relacionamento ou o início de outro, o casamento, ter filhos, mudar de casa, todas elas só foram possíveis através da sua ação.

Poderíamos terminar perguntando se há um momento especial para as mudanças? Eu diria que não. Mas é importante sempre ressaltar que somos nós os condutores de nossas vidas, por isso, a decisão sempre será nossa. Isso é bom? Para muitos, talvez não!

Sua vida é um conto de fadas?

Você nasceu numa família estruturada, que te deu condições para crescer e desenvolver-se pessoal e profissionalmente.

Sempre estudou em boas escolas e ao ingressar na faculdade pôde escolher, entre uma pública e outras privadas. Montou república, teve sempre dinheiro para gastar nas festas universitárias, além de comprar livros e viajar com os colegas em passeios ou excursões para visitas técnicas.

Formou-se e o seu desejo era o de entrar no mercado de trabalho. Concorreu a algumas vagas para trainee em grandes empresas, podendo escolher a melhor, afinal você sempre dominava o idioma inglês, além de ter realizado intercâmbios em outros países. Fez sua escolha e começou a juntar dinheiro, comprou seu carro, mas continuou a morar com os pais. Anos depois financiou um apartamento.

Um belo dia resolveu largar tudo, porque o trabalho não lhe dava o mesmo prazer, afinal de contas você queria ter qualidade de vida. Tomou a decisão de sair do emprego. Comunicou a escolha aos seus pais, que concordaram. Matriculou-se num cursinho preparatório para concurso público. O investimento era alto, mas ia valer a pena.

Aprovado, passou a receber um salário menor que o da empresa, mas conseguia gozar férias quando quisesse, tinha estabilidade e, principalmente, hora para chegar em casa. Numa dessas férias conheceu uma moça por quem se apaixonou e anos mais tarde casou. De presente dos pais ganhou uma casa, enquanto dos sogros todos os móveis, além de uma viagem de lua de mel para um lugar bem especial.

Os filhos vieram, estudaram em boas escolas, ingressaram na faculdade, conseguiram bons empregos e a vida da família seguiu assim por muitas e muitas décadas.

Essa história parece um conto de fadas, mas não é. Ela é real e acontece com muitas pessoas, que talvez não conheçamos ou nem vamos conhecer, porque não pertencem ao nosso mundo, pois o mundo no qual vivemos é o real e não o ideal. Mas devo confessar que gostaria muito que esse mundo ideal existisse, não exclusivamente para algumas pessoas, mas para todos que não tiveram as mesmas oportunidades na vida.

Qual é o seu problema?

Todos temos problemas. Isso é algo inquestionável. A complexidade do problema está no olhar de quem vive a adversidade.  Nesse raciocínio, o meu problema sempre vai ter um grau menor de resolubilidade que o do outro, ou seja, as chances dele ser resolvido num curto espaço de tempo são menores.

Há pessoas que conseguem resolver bem os seus problemas, principalmente porque assumem que eles são seus. Outras nem tanto. Aquele velho costume de dizer que o problema é seu, mas que foi criado pelo outro, é bastante comum nesse tipo de pessoa. O vitimismo ou o coitadismo é prática comum para eles.

As empresas nos pagam para resolver seus problemas. Bons empregados resolvem os problemas da empresa em momentos específicos. Ótimos empregados encontram soluções duradouras ou até mesmo fazem com que o problema não aconteça mais. Excelentes empregados não deixam que os problemas aconteçam, porque usam efetivamente as ferramentas de planejamento.

Achar que somente o outro tem problema, é também um problema, porque você deixa de viver a sua vida, para viver a vida do outro. A máxima que a grama do vizinho é mais verde é um bom exemplo. Se a grama dele é mais verde, pode ser um sinal de que ele cuida melhor da grama, resolvendo o seu problema.

O problema maior de se resolver um problema é quando nós mesmos o criamos em nossa mente. Não receber um alto salário no mês não é um problema, quando você tem a consciência de que você não está ganhando pouco e sim gastando muito. É comum criarmos problemas para nós mesmos, como por exemplo, viver a nossa vida no passado ou no futuro. Não sei se o amanhã me espera e tampouco não conseguirei corrigir os erros do passado. Portanto, o que nos resta é viver o presente.

O autoconhecimento nos ensina que ao olharmos para dentro descobriremos o nosso verdadeiro eu. E se eu sei que eu não gosto de trabalhar naquela empresa ou estudar naquela faculdade, porque não me identifico nem com o trabalho nem com o curso que faço, estou arranjando um grande problema para mim. De que gosto? O que me traz alegria ou paz de espírito? O que tenho facilidade em fazer? Encontrar essas respostas nos ajudará a imaginar o caminho que deverá ser percorrido.

Problemas todos nós vamos ter, do início ao fim da vida. A questão crucial é como vamos lidar com eles. Se virarmos as costas, ele vai continuar lá e um dia nos chamará. Se fingirmos que ele não existe, pode aumentar de tamanho e depois se tornará de difícil resolução. A saída é enfrentá-lo. Primeiro entendendo que o problema é seu ou da sua mente. Segundo, que a resolução deles é o que comumente chamamos de experiência.

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