Quando menos é mais?

Vivemos insatisfeitos! E ao ligarmos a TV ou navegarmos pela internet temos cada vez mais a certeza de que esta frase é verdadeira. Por que isso acontece?

Nesse mundo de mudanças, dizer que “mudar é preciso” é também cada vez mais óbvio. Mas que tipo de mudanças queremos? Para alguns a mudança de emprego. Para que? Para ganhar mais. A outros interessa a mudança de casa. Para que? Para ter mais espaço. A maioria quer mudar de vida. Para que? Para ter mais dinheiro, mais bens, mais amigos, mais lazer, mais, mais, mais…

Quanto mais desejamos é porque mais nos falta. Na lógica capitalista, acumular é preciso! Precisamos ter mais, cada vez mais, para que sejamos também mais: mais felizes, mais satisfeitos, mais confiantes, mais ricos. No pensamento de Sócrates, vamos sempre querer mais, porque desejaremos sempre aquilo que nos falta, e lógico, algo sempre irá nos faltar.

Ter uma casa maior fará com que tenhamos mais espaço: para uma área gourmet, para uma garagem maior, uma piscina, uma sauna, para receber os amigos. A manutenção da casa certamente seguirá o mesmo ritmo: concertina nos muros, câmeras ao redor, limpeza da piscina, faxineiras, jardineiro e tudo aquilo que for necessário para manter a casa.

Desejamos trocar todos os móveis, porque móveis velhos não combinam com uma casa nova. E os desejos vão se multiplicando. E com eles as preocupações também. O medo de ser assaltado, de realizar uma viagem mais longa, de sair de casa, de receber desconhecidos, de achar que todos o invejam porque sua casa é a mais bonita da rua.

Quando não temos tantos desejos, ou melhor, quando conseguimos dominá-los, menos vai ser mais. Mas como explicar que não satisfazendo nossos desejos conseguiremos mais coisas? Porque quanto menos temos, maior a nossa possibilidade de viver uma vida mais tranquila, sem preocupações ou medos.

Se o seu carro é popular, menor será o seguro, menor será a taxa de IPVA, menos onerosa será a sua manutenção, menor será o seu desespero se alguém arranhá-lo. Assim vale para tantos bens, incluindo a sua casa. As pessoas sempre vão pensar no comprar e nunca no manter. É como ter uma impressora em casa. Ela possui um preço razoável, que em duas ou três prestações será quitada, mas o problema está nos cartuchos, ou seja, comprar é fácil, o difícil é mantê-la.

Menos será mais, porque a nossa tranquilidade, a nossa paz, ou se preferirem a nossa felicidade, pode ser inversamente proporcional à quantidade de bens que temos. E mais será menos, porque quanto maiores forem as nossas posses, menor será o tempo para dedicarmos àquilo que realmente deveria ter valor para nós.

Desapegar pode ser a palavra-chave que nos levará a uma vida minimalista. Não desejo com isso que pessoas se tornem desambiciosas. Mas que tenham a consciência e possam refletir que tudo aquilo que desejamos e adquirimos têm um custo maior do que aquele que calculamos no momento da compra.

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