O que esperar do Natal?

Se eu fosse cem por cento pessimista, responderia “nada”. Não espere que o seu Natal seja diferente dos demais, porque não será. Mas como ainda tenho um pouco de otimismo, acredito o Natal será bom, ainda que repleto de egoísmos.

Sabe aquela prima que há exatamente um ano você não vê? Pois é, você a verá novamente no Natal. Passou um ano e você não ligou pra ela e nem ela pra você. Sabe por quê? Porque não há amizade. E aquele primo que mal te cumprimenta quando te encontra na rua? Pois é. Ele também estará na ceia natalina.

Além desses dois personagens, tem o tio que bebe muito, o primo que usa drogas ou está desempregado, a tia que reclama de tudo, da comida, dos doces e principalmente da vida, enfim, como diz Simone em sua música chatíssima: “Então é Natal”.

Alguém vai dizer que sou chato, que o Natal é muito bom! Sim, algumas pessoas curtem a data, se reúnem, se gostam, mas elas não fazem isso só no Natal, e sim durante o ano. O Natal não deveria ser uma data importante, a não ser que você fosse criança e acreditasse em Papai Noel.

Na minha infância ficávamos excitados pela chegada da data, principalmente pelos presentes, é lógico. Com o tempo você vai lembrando e percebendo que os primos mais ricos recebiam presentes melhores que os mais pobres. Que há tios e tias, irmãos, primos e primas, que não se suportam, mas imbuídos do Espírito Natalino, acabam se tolerando, apenas por uma noite.

Com o tempo você também descobre que o bom velhinho que você tanto espera e elogia é o seu pai ou sua mãe, que se sacrificam o ano inteiro por você, e não recebem um elogio sequer. Descobre também que Papai Noel deveria se chamar “Homem Coca-Cola”, porque até as cores da sua roupa lembram a marca da empresa mundialmente famosa. Descobre que o Marketing é quem realmente entra pelas chaminés, televisões, olhos, ouvidos e mentes. Descobre por fim, que o Natal é uma data inventada para que possamos gastar o nosso 13º salário.

Há na vida sim, final de ciclos, o fim de um ano pode representar muitas coisas – boas e ruins. Você pode refletir, rezar, olhar para trás, agradecer, fazer contas, colocar tudo na balança, e em seguida, planejar o próximo ano, outros planos, projetos e ações. Ótimo! Mas você não precisa fazer disso um evento, regado a comida e bebida, e dizer que o fez em nome do Menino Jesus. Não é justo!

Por isso, desejo neste Natal, e nos próximos, que não ganhemos muitos presentes, porque eles podem não significar amor e sim obrigação; que não nos reunamos ou confraternizemos por tradição, e sim por fruição; que gostemos de estar juntos das pessoas, não porque são familiares e sim pelo prazer da presença delas; que não sejamos hipócritas em acreditar num espírito natalino ou coisa do tipo, porque o ano tem 365 dias e não somente uma data.

Que tenhamos um Natal como o das crianças, de esperanças, de pureza, de encontro e brincadeiras; que possamos ter mais empatia, sermos mais verdadeiros, e acreditarmos que o Natal é uma data comum, como outra qualquer, e que na realidade, quem deve ser e agir diferentes somos nós, e não somente no final do ano, mas durante todo ele.

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