Por que somos incoerentes?

Recorrendo ao dicionário mais uma vez, descobrimos que a incoerência é algo desprovido de lógica, desordenado, sem nexo e desarmônico. Nesse sentido, tudo aquilo que não tem coesão, é porque está fragmentado, sem conexões.

Para melhor entendimento, os exemplos sempre nos salvam. Em seu discurso, alguém diz que é uma pessoa diferente das demais, que não segue padrões, mas na prática, só usa roupas da moda. Estar na moda contradiz o ser diferente, concordam? Afinal, a moda impõe regras e padrões, nos quais a maioria se enquadra, exceto os diferentes.

A incoerência sempre surge no limite entre a teoria e a prática. Se você afirma que é ou que faz algo, é preciso que isso seja real, verdadeiro, tanto no falar quanto no fazer, caso contrário, poderá ser tachado de incoerente, ou pior, de mentiroso.

Muitas vezes nos contradizemos sem mesmo ter a exata noção de que o fazemos. Pode ser falta de leitura, conhecimento, ou mesmo uma desconexão daquilo que achamos que somos ou pensamos, distintamente da forma que agimos. Imaginemos uma pessoa que se diz ideologicamente de direita, mas que estudou em escolas públicas, prestou concursos públicos, seus filhos estudam em faculdades públicas. Podemos dizer que essa pessoa é incoerente? Talvez sim, pois quem é “direitista” defende o Estado mínimo, ou seja, a menor participação do Estado na vida das pessoas.

Do outro lado, temos alguns esquerdistas, que demonizam o capitalismo, mas não conseguem deixar de viver a maior razão de ser do capitalismo, o consumismo. Estão sempre trocando de carro, celular e de outros bens, porque o que vale, na visão delas, é o discurso e não a prática. Não há para onde fugirmos, em algum momento fomos ou seremos incoerentes, e o pior, por vezes nos achando os senhores da razão.

Acredito ser praticamente impossível sermos cem por cento coerentes, porque a harmonia necessita de um estado perfeito de sons. E os sons que muitas vezes emitimos não passam de ruídos, que incomodam os ouvidos alheios por saberem que o discurso difere totalmente da prática.

Por isso, se você gosta de fazer algo, assuma esse gosto, para que não caia na tentação de dizer “eu não gosto”, para impressionar alguém, quando na realidade sua ação retrata o contrário daquilo que foi dito. Ler livros de autoajuda não é algo vergonhoso, mas as pessoas escondem isso, se tornando incoerentes. Lêem os livros e depois esquecem de que anteriormente os havia criticado.

O grande segredo da coerência é você viver a sua vida, sem se importar muito com a opinião alheia. Ninguém é obrigado a saber sobre todos os assuntos e ter opinião formada sobre tudo. Não necessitamos sempre escolher um lado, seja ele o da esquerda ou da direita. Precisamos sim, é ter a compreensão de que a vida é muito curta, e que a grande harmonia presente nela, é sermos exatamente quem somos.

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